Nenhuma lágrima é digna da tua força
por que tua partida acena com ares de eternidade.
Mas eu, que fico nesta escuridão imensa
sinto-me perdendo o fôlego e a sanidade.
Navegamos juntos nesta jangada de pedra
e como cegos descobrimos a verdadeira luz.
A palavra é nossa pátria, é o sentimento que medra
quando a alma em pó de estrelas se reduz.
Petrificam-se as lágrimas em meu rosto,
e como flores de sal escorrem como se tivesse visto a Medusa.
Mas tua nau segue andiante, pois no infinito terás teu posto.
o próprio Deus veio buscar-te veloz: deixai que este Albatroz te conduza!
—- Para José Saramago, em 18 de junho de 2010.
Em paz, mestre.
Posted on Thursday January 19th